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Mostrando postagens de fevereiro, 2009

A lágrima do Pierrot

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A Colombina, alheia entre rostos risonhos fantasias e máscaras, não o percebia O Pierrot, contido entre rostos risonhos fantasias e máscaras, a observava Purpurina e confetes! todos os foliões escorriam pelo salão Exceto o Pierrot, que tristemente chorava pelo amor da Colombina, sua ilusão de carnaval.

Insone

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Os tubarões fazem ziguezague dentro do aquário e eu mastigo as pétalas dos jardins da babilônia, lendo as falhas descritas nas linhas de um diário A reflexão alimenta minha atormentada insônia.

Ela ergue os braços e dança

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Ela ergue os braços e dança sensual,visceral, carnalmente alheia ao abismo cavado por seus passos sem querer enxergar a silhueta da realidade expondo intimidade num esgoto a céu aberto espalhando lama em quem tiver por perto Ela ergue os braços e dança sensual,visceral, carnalmente equilibrada na corda-bamba da grana fácil perdida,alienada no labirinto das ilusões fantasiando romances baseados em tolas canções que fazem a trilha sonora do seu mundo de plástico Ela ergue os braços e dança sensual,visceral, carnalmente rindo de satisfação no meio da fumaça fazendo pouco diante da própria desgraça se divertindo nas páginas de sonhos decadentes descalça dando passos sobre brasas incandescentes Ela ergue os braços e dança sensual,visceral, carnalmente murmurando provocações para um homem qualquer realmente disposta a fazer qualquer coisa que ele quiser a entregar seu corpo as garras das paixões efêmeras e viver aventuras que acabam em camas grandes ou pequenas na rotina dos esquemas, vício...

Ode ao amigo poeta Cezar Sturba

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Foi numa noite ancestral que caminhamos a cinco palmos do chão Foi numa noite interminável que acendemos velas com as pontas dos dedos Cezar já havia cavalgado cinco mil milhas de dentro para fora de si E as respostas sopravam no vento enchendo nossos copos de entusiasmo As cicatrizes das velhas correntes que aprisionavam nossas percepções ainda ardiam nos nossos pulsos marcados pelas amarras da ordem capital Ele gritou e blasfemou e abençoou e tão grande berro sóbrio ecoou etilicamente Meu amigo de profundidade oceânica, que a chama da inquietude criativa em nome da devota experimentação, permaneça acesa em teus miolos inquietos.

Ampulheta

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O tempo escorrendo gradativamente na ampulheta A brevidade do sempre e a relatividade do nunca No milésimo de um segundo de um minuto de uma hora Na hora de um dia de uma semana de um mês... Através das vibrações cadenciadas pela energia do absoluto Intervalos simétricos entre dias e noites perfeitas Construindo sinfonias espalhadas no universo pleno Em qualquer que seja o instante do eterno presente que seja o momento mais importante da vida inteira.

No silêncio da reflexão

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Fatos não podem ser forçados, mas uma gota do meu sangue abstrato é derramada em cada uma das letras esvaídas na minha palavra escrita Não escrevo para agradar ninguém, apenas para expressar o que sinto Na precariedade dos meus versos, não minto e é isso que me convém Abutres, corvos, urubus e todos os pássaros malditos estão a me contemplar Devo parecer um bom banquete, mas caso um deles ouse se aproximar levará uma bala no meio da testa Ouço uma pergunta dando círculos pela estrada: "- Onde estão seus amigos?" Nada digo. São as vozes das mulheres louva-a-deus que devoram o macho Os bons morreram, estão longe ou muito ocupados para escutar desabafos A ética embrionária passeando na minha cabeça é ferida pela indiferença No silêncio, eu oro e insulto, para comungar por trás da fumaça do cigarro.

O Castelo de areia

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Após léguas atravessando dunas que separam as mentiras das verdades Molho os meus pés no mar de lágrimas das mulheres abandonadas Banho-me nos feixes de trevas e luz sendo visto por almas desencarnadas Nas águas onde embarcações atraídas pelo cântico traiçoeiro das sereias Colidiram e naufragaram na vastíssima realidade das ondas do nada A eterna penumbra veste o limite entre o mundo dos vivos e dos mortos E é já tarde quando vislumbro o enorme Castelo de areia e suas muralhas E é já cedo quando desvendo o mistério agrupado pelos sonhos irrealizáveis.

HINO NACIONAL BRASILEIRO II (versão dos Parlamentares do Congresso Nacional)

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Os gritos do Ipiranga as margens poluídas De um povo enganado o brado alienante E o sol da futilidade, em raios fúlgidos Brilha no céu da Pátria a todo instante. Se o penhor dessa desigualdade Conseguimos aceitar do sul ao norte, Em teu seio, ó Libertinagem, Já não há quem desafie a própria morte! Ó pátria amada, Ignorada, Salve!Salve! Brasil, um pesadelo intenso de crimes vividos Sem amor ou esperança a terra desce, Se em teu cinzento céu, risonho e cínico, A imagem do cruzeiro desaparece. Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, ridicularizado colosso, E o teu futuro espelha uma utópica grandeza. Terra devastada Entre outras mil És tu, Brasil Ó pátria amada! Dos filhos desse solo já não és mãe tão gentil, Pátria amada, Brasil! Acomodado eternamente em berço esplêndido Ao som do mar e a sombra do céu moribundo Envergonhas, ó Brasil, blefe da América, Ofuscada pelo sol do Novo Mundo! Do que a terra tão saqueada Teus tristonhos, incinerados campos, não têm mais tantas flores; “...

O Crepúsculo e a Dança Do Pássaro

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O crepúsculo cai pedaço por pedaço E no ensejo da meditação contemplativa Ouço o cântico de despedida do pássaro Que em vôos rasos dança à minha vista.

Obsessão

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Num recanto frio e silencioso do solitário mundo claustrófobo preservado no fundo do quarto Tendo a alma amarga torturada escrevendo ao longo das paredes rabiscos tortos em linhas verticais Amontoando lembranças soltas oscilando em medos abissais Amordaçando uma vontade louca de morrer e descansar em paz.

O Pergaminho dos ossos velhos e os lambedores de diamantes

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A mesma correnteza que arrastou meus ancestrais nos navios negreiros trouxe-me o pergaminho dos ossos velhos num baú que devolvi ao mar afundando nele os meus mais tenebrosos medos Tenho lido o manuscrito e aprendido a não jogar diamantes aos porcos, mas quando necessário mergulho na lama deles São esses pequenos e mundanos prazeres que me fazem sentir forte, por mais de um milhão de vezes Vejo o homem e sua ambição insaciável que busca pela fantasia social na qual melhor fica adequado Até que ponto eu e você, não passamos de meros escravos?! Soltem os pássaros das gaiolas e parem de alimentar sua crueldade caprichosa As mais torpes frustrações estão refletidas na maneira como confinam os seus bichos Você pede para que não sugira isso e eu pergunto: quais são seus animais de estimação?! Quando pareço dançar conforme a música, eu costumo bater acidentalmente na vitrola, só pra arranhar o velho disco e mudar de faixa no momento em que ninguém prestar atenção Finjo achar graça nas piadas ...

Eclipse do meio-dia (numa estrada deserta)

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No desolado semblante, do meio-dia Na estrada desalmada, Onde o sol permite, Onde a lua abomina Sem esperança ou água, Sem bússola ou horizonte, Sem contar pegadas As curvas e a distância Reduzem meu pensamento a nada.

Alquimia

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Que meu toque de chumbo não venha a ferir a beleza da meiga pureza do amor, mas que seja por ele transformado em ouro, Para sempre.

Alucinação do negro Novembro

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Respirei nuvem e soprei alucinações no negro novembro da minha mágoa, que queima sob o ócio das divindades e congela sobre o ódio dos homens Vomitei no prato de poeira que comi até transbordar ao longo da mesa farta Enquanto assistia sua dócil frivolidade sendo devorada pelas feras na praça Foi neste vislumbre de imagens claras sem fala e de olhos abertos pro espaço que engoli o híbrido sabor das canções no ritual angelical das almas. "Phábio Pio"

Carrossel

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Pulsam os relógios em voltas que dispersam o discernimento, nas muitas vidas que resvalam em círculos ou pelas voltas que o mundo dá. "Phábio Pio"

Fugaz

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Se voo,  como pássaro em labaredas,  através do dia que se apaga  Se levo comigo,  na noite que destila enigmas,  o pecado   Se pouso na tua cama  e te acendo aonde tua alma  exala uma ciranda de pétalas  em chamas   Não importa,  se amanhã seremos estranhos  Não importa,  se talvez nem nos cumprimentemos   Apenas diga que me ama  Repita servilmente que  nos amaremos pra sempre,  mesmo que o pra sempre  não dure sequer uma semana.   "Phábio Pio"

Pequenos arautos da morte

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E são crianças indesejadas Mal nascidas, quase abortadas Embolando na periferia Crescem brincando com armas Metralhadoras, pistolas engatilhadas Comendo e cheirando farinha Perigosas crias da má-sorte Acendendo bagulho e apagando luzes Pequenos arautos da morte Não existe piedade, na cartilha da Lei do mais forte Criados para sorrir ao matar Tirando vidas e perdendo as vidas Morrendo para enfeitar o jardim das cruzes.

Tempos Modernos

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Na vida dos quase-homens, homens, mais que homens Mais e mais dependentes das próprias criações Na vida dos mais que homens, homens, quase-homens Que a cada passo são menos livres Na vida dos homens, quase-homens, mais que homens Que cada vez mais se desumanizam A paz é cada vez menos evidente. "Phábio Pio"

Angústia apaixonada

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Apago o fogo, que eu mesmo acendi Como quem apaga um mero fósforo Mas fica no ar aquela angustia apaixonada, de uma doce felicidade que nunca senti.

Sonho nu

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O aplauso silencioso do teu olhar Expressa o desejo de querer voltar A dar voltas no arco-íris da lua Lento e leve como bolha de sabão Flutuando na tua imaginação nua. "Phábio Pio"

Homem cheio, copo vazio

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Ando por ruas mal iluminadas Rondo por estradas silenciosas Faço orações para santos surdos Ouço santos que não dizem nada Pouso copos em bares ordinários (Fácil é encher um copo de bebida Difícil é esvaziar a minha tristeza).

Infanticídio

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Tentei endurecer sem perder a ternura Aconteceu algo de errado, caro Che Boa parte de mim teve que morrer E foi justo o meu lado ingênuo Ligado num traço de edipianismo Inimigo de qualquer forma de poder Pensava abrigar no fundo do peito Apenas um menino, mas eram tantos Que infanticídio triste de se cometer. "Phábio Pio"

Madrugada e Presépio

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Subo e desço as escadas imaginárias, pelas ruas sujas, feias e solitárias, nos confins do país das novelas e maravilhoso carnaval, que tampouco se importa com suas crises degeneradas, fome e crianças mortas Gigolôs, putas sorridentes, automóveis,álcool e drogas Não confio em ninguém, com mais ou menos de trinta e dois dentes Rogo que me perdoe a divina onipotência, onipresença e onisciência da mídia nas faces e mentes bovinizadas, que saboreiam as miragens do entretenimento de vômito e lama, dentre tantas coisas, nas dádivas das formais redes sociais O espetáculo de Hussein, Bin Laden e Kadafi, as palmas para o sapato na cara do Bush, corrupta e imunda política nacional, capitalismo em plena decadência, morte da censura sexual Nada pode impressionar a inerte geração internet “Sem pódio de chegada ou Beijo de namorada”, eu sigo para casa, onde há um presépio de Natal e “uma sobremesa me espera”.

O toque da saudade

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O toque, que vem de longe Que penetra, dói... que arde O toque inusitado, gelado Que dá um nó na garganta e mal me permite respirar O toque que mareja a minha vista Que vai e vem, sem avisar Traz sua voz, seu riso, o sabor do teu beijo O toque da saudade que vai fundo na alma Só pra me torturar.