Os sinos tocam! As badaladas, os trovões e a chuva, rasgam o entardecer. A freira entra na igreja. Hábito molhado. Meio-riso baixo, abafado. Ela senta no confessionário. O bispo irá ouvi-la, à antiga. - O que houve minha filha? A voz do prelado nunca lhe pareceu tão afeminada. Numa tom de devoção afetada, ela diz satisfeita: - Cometi pecados mundanos. - Mas o pecado é humano, demasiadamente humano - E agora, eu abomino profundamente a igreja. - Minha filha, você é uma freira. Ela continua: - Dizem que somos o depósito de lixo da história e talvez seja mesmo verdade. Cometemos os mais terríveis e absurdos enganos. - Não atentai contra a santa decência do clericalismo. - Sempre demos as costas a ciência e ao que a filosofia ensina. - Não insista minha menina! - Sempre estivemos do lado mais conveniente e tapamos os ouvidos para os gritos dos inocentes. - Os livros que tem lido estão lhe fazendo mal. Filha, o povo precisa dos nossos dogmas. - As pessoas precisam permanecer dop...