Carta a Clara (faraway, so close)
Clara, até mesmo eu, que mal falo a língua dos homens, que desconheço a língua dos anjos , “não esqueço, o que de fato teve seu começo, numa festa de São João”. Ali, no big bang dos teus olhos que transgressoramente explodiram a ironia dos meus, nasceu desmedido e indomável, subvertendo a razão. Então soou sobre o asfalto, dentro e fora da cidade, por dias e noites , nos acordes da música cinza dos romances proibidos que murmuram em portas e janelas, derrubando altares e calendários. Mesmo “sem retrato e sem bilhete, sem luar, sem violão”. O meu último desejo é que não esqueças, que esse amor de Pierrot, permanecerá em mim, aqui, ali e aonde quer que eu vá.